Processos

O que acontece quando o estrutural e o arquiteto não conversam

Eng. José Victor Eng. José Victor · Promab Engenharia ·

O canteiro recebe o projeto estrutural e o projeto arquitetônico prontos, e tenta conciliar na obra o que ninguém conciliou durante o projeto. Essa situação aparece com mais frequência do que deveria.

De onde vêm os problemas de verdade

A maioria dos problemas que surgem nessa hora não vem de um projeto mal feito. Vem de falta de diálogo entre as partes envolvidas. O calculista resolve a estrutura do jeito que a estrutura pede, sem saber exatamente o que o arquiteto pensou pra aquele espaço. O arquiteto fecha o projeto sem saber o que a estrutura vai efetivamente precisar. E o canteiro recebe os dois projetos prontos e tenta resolver as divergências sozinho, no meio da execução.

Quando existe comunicação entre as duas partes desde o início do projeto, divergências que seriam surpresa na obra viram conversa antes do projeto fechar. E conversa, ao contrário de uma incompatibilidade descoberta em obra, tem solução simples e barata.

"Não dá" quase nunca é a palavra final

Quando o calculista aponta um problema num projeto arquitetônico, raramente é um não fechado. Na prática, é quase sempre "não dá desse jeito específico" ou "dá, mas vai custar mais caro do que o previsto". A estrutura raramente inviabiliza a ideia inteira, ela aponta um ajuste pontual, um pilar reposicionado, uma viga um pouco maior num trecho. Tratar esse aviso como um veto definitivo, sem abrir a conversa pra entender o que de fato está em jogo, é o que transforma um ajuste simples numa briga entre arquitetura e engenharia.

Como essa conversa deveria funcionar

Quando o projeto estrutural aponta que vai precisar de um elemento que interfere na arquitetura, seja um pilar num ponto específico ou uma viga que reduz o pé-direito em algum trecho, a primeira conversa deveria ser com o arquiteto responsável, ainda na fase de concepção. Apresentar o que a estrutura precisa, ouvir o que o projeto arquitetônico não pode abrir mão e buscar uma saída que funcione pros dois lados é bem mais barato do que qualquer alternativa descoberta depois.

O que não deveria acontecer é a estrutura aparecer como surpresa depois que o projeto arquitetônico já estava fechado e aprovado, forçando ajustes de última hora que raramente agradam qualquer uma das partes envolvidas.

Um hábito simples que evita muito retrabalho

Isso não exige nenhuma ferramenta sofisticada nem processo complicado. Muitas vezes basta uma conversa direta, ainda no estudo preliminar, sobre onde ficam os pontos de apoio previstos, quais vãos são inegociáveis do ponto de vista arquitetônico e onde existe flexibilidade pra ajustar. Aqui na Promab, essa conversa costuma começar ainda na fase de briefing, antes de qualquer elemento estrutural ser de fato lançado.

Um exemplo do que essa conversa evita

Já recebemos projetos arquitetônicos com um pé-direito reduzido num ambiente específico, sem que isso tivesse sido pensado em conjunto com a estrutura. Nesses casos, uma viga de altura convencional simplesmente não cabia no espaço previsto. Se essa conversa tivesse acontecido antes, teria sido possível ajustar o posicionamento da viga ou prever uma altura menor desde a concepção, sem nenhum impacto visual na arquitetura final. Descoberto só na obra, o mesmo ajuste custa tempo, retrabalho e, às vezes, uma solução mais cara do que seria necessário.

Comunicação como parte do processo, não exceção

Acreditamos que a base de qualquer projeto bem executado é a comunicação constante entre quem projeta a arquitetura e quem projeta a estrutura, não uma troca pontual resolvida só quando um problema já apareceu. Projetos que nascem dessa forma, com diálogo desde o início, chegam ao canteiro com muito menos motivo pra conflito.

Em mais de 25 projetos estruturais entregues pela Promab, os que menos deram dor de cabeça na obra foram justamente os que tiveram esse diálogo com a arquitetura desde a concepção.

Está com um projeto arquitetônico em andamento e quer alinhar a estrutura antes de fechar tudo? Chama a gente no WhatsApp.

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