Normas técnicas

NBR 6118 mudou: o que a nova exigência da ATP significa pro seu próximo projeto

Eng. José Victor Eng. José Victor · Promab Engenharia

A NBR 6118 foi atualizada, e uma das mudanças mais relevantes passou batido pra boa parte do mercado: a Avaliação Técnica de Projeto, a ATP, agora é obrigatória em determinados casos. E não é uma exigência isolada: outras normas do setor, como a que trata de parede de concreto, seguiram o mesmo caminho recentemente. É um movimento do setor inteiro, não um capricho pontual da 6118.

Pra edificações acima de 6 pavimentos, o projeto estrutural precisa passar por uma auditoria e validação independente antes de seguir pra obra. Não é uma revisão interna do próprio escritório que assinou o projeto. É uma segunda análise técnica, feita por fora.

O que é (e o que não é) o ATP

Vale desfazer um mal-entendido comum. O ATP não é uma consultoria pra enxugar o projeto, reduzir consumo de material ou sugerir outra forma de calcular. A função dele é validar: checar se o que foi projetado atende às normas e se comporta como deveria, sem alterar as decisões de quem projetou. Quem assina o projeto estrutural continua sendo o responsável técnico por ele. O ATP emite seu próprio parecer, de forma independente, como uma segunda camada de segurança.

Como o processo funciona na prática

O ATP não é um relatório único entregue no fim da obra. Ele acompanha o projeto em fases. Primeiro avalia o modelo estrutural concebido para aquela edificação, os parâmetros de durabilidade adotados e o comportamento geral da estrutura. Depois, verifica se a planta de cargas enviada pra fundação está de acordo com a versão mais atual do projeto, um ponto que gera bastante retrabalho quando o projeto muda de mãos ou passa por revisões e a fundação acaba sendo calculada em cima de uma carga que não é mais a real. Por fim, entra no detalhamento, apontando itens como pendentes, como sugestão ou como já validados, sempre dando espaço pra quem projetou responder e esclarecer antes de qualquer conclusão.

Quem essa mudança afeta na prática

Não é só quem projeta prédio residencial alto. Edifícios comerciais, obras institucionais e qualquer empreendimento que se enquadre nesse porte de pavimentos entram nessa exigência. E o cenário que estava sendo avaliado mudou bastante nos últimos anos: arquiteturas mais arrojadas, vãos maiores e pavimentos que não se repetem mais como antigamente aumentaram muito a necessidade de soluções estruturais específicas, como vigas de transição, que já são bem mais comuns do que eram há uma década. Quanto mais sofisticado o projeto arquitetônico, maior o valor de ter um segundo olhar técnico validando a estrutura por trás dele.

Um benefício que passa despercebido

Além da segurança e da conformidade normativa, existe um efeito prático que poucos comentam: alguns bancos consideram o ATP como redução de risco na hora de financiar a obra, o que pode significar juros menores no financiamento. Ou seja, a etapa que parece só custo adicional também pode virar economia em outra ponta.

O que fazer agora

Se você tem um projeto em andamento que se enquadra nesse porte, ou está com um empreendimento chegando, vale mapear agora se ele vai precisar de ATP, quem vai realizar essa avaliação e como isso entra no cronograma. Descobrir essa exigência no meio da obra, com o cronograma já fechado e o orçamento já definido, custa tempo e dinheiro que não voltam.

A Promab já trabalha com projetos estruturais dentro dessa exigência, seja elaborando o projeto original ou atuando como avaliador técnico independente pra quem precisa da ATP. Manda o projeto ou o tipo de empreendimento pra gente no WhatsApp e a gente já te diz se ele se enquadra e como encaixar essa etapa no seu cronograma.

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