Sistemas estruturais

Por que o concreto protendido costuma ser a melhor escolha em vãos maiores

Eng. José Victor Eng. José Victor · Promab Engenharia

Essa é uma das perguntas que mais recebemos aqui na Promab, e vale a pena responder de forma direta.

Quando o projeto pede uma solução estrutural de maior porte, com vãos generosos e plantas que precisam de liberdade, a nossa preferência costuma ser o concreto protendido. E o motivo principal é mais simples do que parece.

O mesmo material que a obra já conhece

O concreto protendido trabalha com o mesmo material que já está na obra: o concreto que o construtor já conhece, já orçou e já tem mão de obra pra executar. O que muda é a adição dos cabos, as cordoalhas, aqueles elementos de cor azul instalados antes da concretagem e tracionados depois.

Essa é a grande sacada do sistema: ao adicionar os cabos, é possível reduzir significativamente a quantidade de armadura passiva, o aço convencional, sem abrir mão da resistência e do desempenho estrutural. O resultado é uma estrutura eficiente, com menos material, mais vão livre e construída com o que a obra já tem disponível.

O que muda no dia a dia da execução

Sim, o protendido adiciona alguns processos que o concreto armado convencional não tem, como a montagem dos cabos e a etapa de protensão propriamente dita. Mas, na prática, não é tão trabalhoso quanto parece. A equipe aprende o processo rapidamente, e ele passa a fazer parte da rotina da obra como qualquer outra etapa construtiva, principalmente quando há suporte técnico disponível durante a execução.

Quando essa escolha faz mais sentido

O protendido ganha força quando os vãos maiores aparecem em grande parte da edificação, ou quando as plantas dos pavimentos não coincidem entre si, ou seja, os ambientes de cima não batem com os de baixo. Nessas situações, ele é a escolha natural quando o projeto exige liberdade estrutural, não só em um ponto isolado da edificação.

Isso não significa que o protendido seja sempre a resposta certa. Projetos com vãos mais regulares e sem grandes exigências arquitetônicas podem ser perfeitamente resolvidos com concreto armado convencional, muitas vezes com um custo menor. A escolha certa depende do que aquele projeto específico está pedindo, não de preferência isolada.

O que muda na inspeção ao longo dos anos

Diferente do que muita gente imagina, o concreto protendido não exige uma rotina de manutenção mais complexa que o concreto armado convencional, desde que a execução tenha sido feita corretamente desde o início. O ponto de atenção real está na fase de execução, principalmente na proteção da região de ancoragem dos cabos contra umidade, e não numa suposta fragilidade do sistema ao longo da vida útil da edificação.

Uma decisão que vale antecipar

Por isso, quando um projeto arquitetônico começa a desenhar vãos maiores ou plantas que variam entre pavimentos, vale trazer o calculista estrutural pra conversa cedo, ainda na concepção do projeto. Definir o sistema estrutural depois que a arquitetura já está fechada tende a limitar as opções e, às vezes, forçar soluções mais caras do que seriam necessárias se a conversa tivesse acontecido antes.

No fim, a pergunta certa não é qual sistema é melhor de forma absoluta, mas qual sistema resolve melhor as exigências específicas daquele projeto, considerando arquitetura, prazo, orçamento e a equipe que vai executar a obra. Essa análise, feita cedo, evita retrabalho e garante que a estrutura escolhida realmente sirva ao projeto, não o contrário.

Tem curiosidade sobre como o protendido se encaixaria no seu próximo projeto? Chama a gente no WhatsApp.

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